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NÃO CONSERTO SEU PC!

por Eduardo Parise

            Numa tarde de sábado, durante o coffee-break de um dos cursos que ministro, um sagaz aluno lança aquela pergunta cuja resposta seria uma “revelação” para qualquer profissional da TI: - Como você faz para fugir daquelas pessoas que pedem para você consertar o PC delas? A resposta veio a cavalo – Tenho uma camiseta com os seguintes dizeres no peito: Não conserto seu PC. E nas costas: Não insista!

            Este é um problema que assola a maioria dos profissionais de tecnologia. E devemos sim considerar isto um problema, porque muitas vezes somos requisitados por amigos, parentes e amigos dos amigos, de forma um tanto quanto constrangedora, a dar uma “olhadinha” em seus PC’s.

            Você já viu alguém pedir pro mecânico consertar os buracos da estrada? Ou reclamar ao frentista que a suspensão do carro está ruim? O máximo que estes profissionais teriam condições de fazer é recomendar que você procure o responsável ou alguém que preste o serviço adequado.

            Pelo fato de trabalharmos com tecnologia, as pessoas têm a impressão que sabemos tudo sobre equipamentos eletrônicos, desde rádios, passando por liquidificadores, facas elétricas, iogurteiras até chegar aos seus PC’s, periféricos, softwares, jogos e demais excrementos tecnológicos que estejam conectados ou instalados nestes computadores.

            Muitas vezes nos encontramos em situações onde não podemos negar tal auxílio, sob o risco de “perder” o amigo ou sermos tachados de chatos mal-humorados. Alguém deveria explicar a estas pessoas que assim como existem eletricistas e encanadores, também existem empresas e profissionais especializados em manutenção e reparo de computadores.

            Nenhuma dessas pessoas analisa nosso lado, trabalhamos com tecnologia, mas na maioria das vezes é com uma área específica dela, ou seja, somos especialistas. Já viu um dentista fazer uma neurocirurgia? Ou um veterinário extraindo um ciso? Mesmo que ambos sejam da área da saúde, cada um tem sua especialidade, e embora possam assimilar ou compreender mais facilmente outros setores da saúde, não significa que estejam capacitados a atuar nestes setores. E é isso que nossos amigos precisam entender.

O que mais irrita são aqueles usuários que não lêem manuais e não guardam os CD’s de instalação e drivers das suas máquinas. Já tentou instalar e configurar um computador sem ter os CD’s com os respectivos drivers? É simplesmente impossível, você vai precisar procurar drivers na Internet para concluir o trabalho. Uma boa dica se você é um desses e está lendo esta coluna é guardar o CD dentro do gabinete do computador. Isso mesmo, abra o gabinete e cole com fita adesiva o CD em algum lugar, ao menos você não vai perdê-lo.

Esta situação toda somente será resolvida no dia em que os computadores forem iguais as lâmpadas, ou seja, só tiverem um botão: liga ou desliga.

            O mais intrigante é o fato de que somente o PC dos outros tem problemas. Porque o meu PC nunca tem problema? Sou tão usuário quanto qualquer outro. O segredo é que não instalo qualquer porcaria na minha máquina, tampouco abro qualquer e-mail desconhecido que recebo ou introduzo qualquer pen-drive na minha USB. Resumindo, tenho critérios para usar meu PC, pois diferente de uma TV, onde se pode sintonizar qualquer canal sem que haja danos ao aparelho, um PC pode ser danificado por um software.

            Há alguns dias uma amiga ligou perguntando se eu poderia “olhar” o PC do irmão de uma colega de trabalho, mesmo sabendo que trabalho três turnos. Argumentei pela enésima vez que não o faria e ela já conhecia os motivos. Retrucou que a colega acharia ruim, pois eu havia “olhado” o PC de uma conhecida de ambas há alguns dias. Expliquei que havia sido uma situação especial e pedi-lhe que orientasse sua colega a procurar uma assistência técnica, onde o problema do PC que não ligava seria resolvido com muita rapidez e com ferramental apropriado.

Ao chegar em casa tarde da noite deparo-me com minha amiga na portaria trazendo um computador embaixo do braço. Minha amiga prontamente balbuciou que “olharia” ela mesma o PC contando com uma pequena orientação minha. Limitei-me a informar que a fonte de energia fica ligada na posição I e desligada na 0. Ela concluiu que seria necessário trocar a fonte de energia e pediu que a colega adquirisse uma nova fonte. A nova fonte foi instalada e a máquina continua não ligando.

Espero que meus amigos e familiares leiam esta coluna.